1. Os objetivos do Segundo Seminário
Interamericano sobre a Gestão das Línguas,
orientados com vistas a:
facilitar
um espaço para o debate
sobre políticas lingüísticas
e culturais que garantam o respeito e a valorização
das línguas e da diversidade cultural
de nosso continente; e
propor
estratégias para o fortalecimento
e a promoção das línguas
e culturas do continente.
2. A Declaração de Cartagena de
Indias, adotada em 13 de julho de 2002 por ocasião
da Reunião Inter-Americana de Ministros
e Altas Autoridades de Cultura, que reafirma
a necessidade de desenvolver uma maior consciência
e compreensão da importância da
diversidade cultural e lingüística
das Américas através do diálogo,
estudo, pesquisa e intercâmbio entre países,
governos, organismos regionais e internacionais,
sociedade civil e setor privado.
3. Os processos de globalização
e de integração econômica
continental que impõem, cada vez com maior
urgência, a necessidade de incluir na agenda
internacional a discussão sobre o futuro
das línguas e culturas em um marco que
favoreça o respeito e a preservação
da diversidade lingüística.
4. Que a mútua compreensão é uma
condição inevitável para
a convivência e o exercício dos
direitos democráticos dos cidadãos;
e que o uso de uma única língua
para a comunicação nas instâncias
internacionais e intercontinentais constitui
um sério perigo para a soberania dos Estados
e dos povos.
5. Que é necessário e urgente
adotar estratégias que levem à promoção
real das línguas nos intercâmbios
inter-americanos, em razão de que é necessário
dotá-las de funcionalidade e competência
para que possam servir de instrumentos úteis,
práticos e adequados às mudanças
permanentes que se operam nas sociedades.
6. Que as experiências existentes em matéria
de políticas lingüísticas
e educativas, bem como os trabalhos de pesquisa
realizados, constituem ricas referências
que poderão orientar as ações
futuras com o objetivo de facilitar uma gestão
democrática e eficiente das línguas
em nosso continente.
os participantes do II
Seminario Interamericano sobre a Gestão
das Línguas, reunidos
na cidade de Assunção, após
a exposição,
análise e debate dos temas incluidos na
agenda, recomendam:
1. Considerar certos princípios de planificação
lingüística por ocasião das
discussões sobre o multilingüismo
nas organizações supranacionais
e internacionais, tais como:
Conceber uma imagem que explicite as principais
funções das línguas e que
coloque em evidência a necessidade de aplicar
soluções adaptadas.
Trabalhar em prol do multilingüismo como
meio de expressão e comunicação
em foros internacionais e iniciativas de integração
regional.
Favorecer a multiplicação de
convênios com objetivos sociolingüísticos
(entre organismos internacionais o convênios
internacionais, por exemplo).
Participar ativamente na oferta e demanda
das línguas.
2. Acompanhar as recomendações
dos futuros Seminários com propostas relativas à sua
colocação em prática de
maneira a facilitar a tomada de decisões
políticas pelos governos, e sua implementação
efetiva.
3. Intensificar os estudos comparativos entre
as conseqüências econômicas
de uma política lingüística
exclusivamente monolíngüe e uma política
lingüística plurilíngüe.
4. Reconhecer que o valor do conhecimento é indissociável
da qualidade de seu suporte lingüístico
e que, portanto, os recursos lingüísticos
constituem parte integrante do valor agregado
de todo produto ou serviço com incidência
nas relaciones de mercado.
5. Incentivar os governos e organismos intergovernamentais
para que tomem as medidas necessárias
para que se respeitem os direitos lingüísticos
nos intercâmbios inter-americanos.
6. Acentuar a promoção do direito
dos cidadãos a ser informados, trabalhar,
consumir e viver nos idiomas utilizados em seus
territórios respectivos, e exortar os
governos a tomar as medidas necessárias
para isso, exigindo, entre outras, a etiquetagem
multilíngüe de produtos provenientes
do estrangeiro.
7. Reconhecer que o respeito da diversidade
cultural implica necessariamente o respeito da
diversidade lingüística.
8. Levar a cabo ações de promoção
do espanhol, francês, inglês e português
de forma eqüitativa e em um marco de respeito
da diversidade lingüística e cultural.
9. Contribuir para a coleta terminológica
e o desenvolvimento de novas terminologias para
fortalecer as línguas faladas no continente,
tirando partido do acervo já existente
e favorecendo o desenvolvimento de novas pesquisas
[1].
10. Estimular medidas para o uso efetivo das
quatro línguas oficiais nos âmbitos
de negociação e de trabalho dos
organismos internacionais do continente, e estimular
o emprego das demais línguas americanas
em tais âmbitos.
11. Fomentar o desenvolvimento das indústrias
da língua, especialmente o de sistemas
multilíngües de tradução
automatizada, afim de dotar as línguas
do continente de recursos tecnológicos
que permitam sua participação plena
na Internet e em outros âmbitos prestigiosos
e diversificados de alcance mundial, bem como
incrementar seu emprego em materiais educativos,
contribuindo a se opor à tendência à hegemonia
de uma única língua (o inglês,
em particular) em tais âmbitos.
12. Estabelecer mecanismos de cooperação
entre todos os países para facilitar o
intercâmbio de recursos materiais e imateriais
destinados especificamente a equipar adequada
e eqüitativamente as línguas do continente.
13. Desenvolver políticas educativas
baseadas na aquisição precoce de
línguas e favorecer a formação
de falantes multilíngües reais.
14. Fomentar a educação bilíngüe
tanto indígena como não-indígena
no marco do respeito à diversidade e à promoção
das línguas e culturas diversas do continente.
15. Solicitar a inclusão do guarani como
idioma oficial do Mercosul, conjuntamente com
o espanhol e o português, e propor a seus
Estados Parte a adoção de políticas
lingüísticas que assegurem um trato
eqüitativo das três línguas
nos âmbitos de negociação.
16. Harmonizar o sistema lingüístico
do guarani e desenvolver sua terminologia, afim
de facilitar seu emprego por falantes dentro
e fora do Paraguai, procurando construir assim
uma língua mais sólida, competitiva,
e apta para ser empregada em todo tipo de situação
comunicativa.
17. Organizar o III Seminário Interamericano
sobre a Gestão das Línguas em 2005,
no Brasil, com o claro objetivo de efetuar um
balanço dos dois primeiros seminários
e promover o multilingüismo como meio de
expressão e comunicação
em foros internacionais e iniciativas de integração
regional.
18. Procurar que no próximo seminário
participem representantes de todos os países
americanos, sem esquecer os Estados Unidos, com
o fim de assegurar uma maior representatividade
e um maior alcance do evento.
19. Difundir as recomendações
dos Seminários Interamericanos sobre
a Gestão das Línguas, afim de que
as mesmas sejam tomadas como base comum para
trabalhar em cada país ou região,
procurando obter resultados concretos que possam
ser apresentados em próximos encontros.

[1] O “Office de la Langue Française” do
Québec oferece colocar à disposição
o conteúdo de seu banco de dados e seu
sistema multilíngüe.

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