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Grande parte dos cientistas brasileiros, principalmente
aqueles que desenvolvem pesquisas nas áreas
das ciências puras, publica em revistas
internacionais, e, como veremos na leitura dos
dados levantados para este estudo, a maioria,
em língua inglesa.
Uma das grandes barreiras para publicação
em revistas nacionais é a pouca difusão
das mesmas no exterior e sua baixa presença
em fontes de referência internacionais.
Krzyzanowski e Ferreira (1998:165) citam fatores
importantes que poderiam justificar a restrita
incorporação de revistas brasileiras
em bibliografias e índices internacionais.
Segundo as autoras, a falta de regularidade
na publicação e distribuição
da revista, de normalização
dos artigos científicos e da revista como
um todo e também do corpo editorial
e de referees prejudicam a qualidade
de nossas revistas, não permitindo que
as mesmas passem pelos critérios de aceitabilidade
das grandes fontes de informações
internacionais.
O principal fator da não-publicação
em língua portuguesa em revistas internacionais
e, muitas vezes, também em periódicos
nacionais decorre do reconhecimento ainda incipiente
do português como língua de difusão
nas áreas de ciência e tecnologia,
principalmente nas chamadas ciências duras.
Estas constatações prejudicam a
visibilidade da literatura científica produzida
no Brasil e, conseqüentemente, desestimulam
nossos cientistas a publicar em revistas nacionais
e em revistas internacionais usando a sua língua
materna.
O caminho percorrido pelos pesquisadores brasileiros
é então publicar em língua
estrangeira em revistas internacionais. As áreas
que mais publicam são Biologia, Bioquímica,
Ciências Agrárias, Imunologia, Biologia
Molecular, Genética, Engenharia e Física.
Segundo o Jornal da Ciência (2002),
a publicação científica brasileira
aumentou por volta de 403% nos últimos
20 anos. Em comparação com a alta
de 41,51% dos cientistas norte-americanos, nosso
crescimento parece considerável. No entanto,
não se sabe, em termos quantitativos, o
volume de publicações que estas
percentagens representam. De toda forma, de acordo
com Izique (2002), a percentagem brasileira corresponde
a 1,44% da publicação científica
mundial e 40% da latino-americana. Estes dados
foram retirados dos Science Citation Index
publicado pelo Instituto para Informação
Científica (ISI), uma das maiores fontes
de informação sobre publicação
científica mundial. Nos registros da base
do ISI, o Brasil se destaca dentre os países
que mais crescem em número de artigos.
De acordo com o ISI, em 2001, os pesquisadores
brasileiros publicaram 1.500 artigos nos mais
de 5000 periódicos reconhecidos pelos critérios
desta instituição (Izique, 2002).
Infelizmente, a percentagem de revistas brasileiras
no conjunto de periódicos que constam nas
bases do ISI é muito pequena. As razões
já foram mencionadas anteriormente. Targino
e Garcia (2000:104) ressaltam que, entre as 16.000
publicações incluídas na
base de dados do ISI, 8.000 são revistas
técnico-científicas, e, entre elas,
somente 17 são títulos brasileiros.
No que diz respeito às línguas aceitas
nestas 17 revistas, apenas duas são editadas
em português, seis são editadas apenas
em inglês e nove são bilíngües
ou multilíngües, incluindo o português.
Em recente consulta ao Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT), órgão responsável
pela atribuição do International
Standard Serials Number (ISSN) em revistas brasileiras,
obteve-se a informação de que a
base do ISSN possui 12.367 publicações
brasileiras correntes. Entre estas, 5.986 são
revistas técnico-científicas nacionais.
Ao compararmos com as 17 revistas registradas
na base do ISI, constata-se que existe uma quantidade
considerável da literatura nacional publicada
no país que não se encontra registrada
em fontes internacionais. Os dados do ISI são,
portanto, parciais, pois grande parte dos periódicos
nacionais não está computada. Este
fato dificulta tanto a divulgação
desta produção quanto as análises
sobre a produtividade científica do país.
No que diz respeito especificamente ao uso do
português, foi realizado um levantamento
em três bases de dados: Web of Science,
Latindex e Scielo.
A Web of Science é composta pelas
bases mantidas pelo ISI : Science Citation
Index (SCI), Social Sciences Citation Index
(SSCI) e Arts & Humanities Citation Index
(AHCI). Em um período de 10 anos (1992
a 2002), foram encontrados 6.485 artigos em português
escritos em revistas brasileiras, e nenhum artigo
em português escrito em revistas norte-americanas.
Este resultado reflete a condição
precária que o português ocupa, principalmente
em algumas áreas do conhecimento, como
língua de peso para comunicação
científica e tecnológica no cenário
internacional.
O Latindex é um diretório
de publicações científicas
seriadas da América Latina, do Caribe,
Espanha e Portugal. Mantido pela Universidad Nacional
Autónoma de México, cobre 11.000
periódicos provenientes de 30 países.
Deste conjunto, 2.883 são revistas brasileiras.
A título de exemplo, realizou-se um levantamento
das línguas utilizadas nos periódicos
da área de Medicina incluídos nesta
base. Constatamos que nem todos os 239 periódicos
brasileiros desta área têm o português
como língua oficial da revista. Verificando
o campo denominado multíngüe
do Latindex, observou-se que 188 revistas
o preenchem com a informação português,
32 com os dados português e inglês,
10 informam inglês, 4 português,
inglês e espanhol e 5 não
contêm esta informação. Mesmo
que 78,6 % sejam integralmente em português,
é impressionante constatar que 4,1 % não
tenham o português sequer como opção
de língua.
O SciELO (Scientific Electronic Library Online)
é uma biblioteca eletrônica que abrange
uma coleção selecionada de periódicos
científicos brasileiros. Tem como objetivo
oferecer uma metodologia comum para preparação,
armazenamento, disseminação e avaliação
da produção científica em
formato eletrônico. Possui atualmente uma
coleção de 92 periódicos
científicos brasileiros principalmente
na área da Medicina. Ao verificar a utilização
do português por estes periódicos,
obtemos o seguinte resultado:
|
LÍNGUA |
TOTAL |
% |
| Português |
11 |
11,9 |
| Português /Inglês |
20 |
21,7 |
| Português /Espanhol |
8 |
8,6 |
| Português / Inglês / Espanhol |
30 |
32,6 |
| Inglês |
15 |
16,3 |
| Inglês / Espanhol /Francês |
1 |
1,0 |
| Português / Espanhol / Francês |
1 |
1,0 |
| Português / Inglês / Espanhol
/ Francês |
5 |
5,4 |
| Português / Inglês / Espanhol
/ Francês /Italiano |
1 |
1,0 |
Observa-se que, assim como no Latindex,
existem revistas nacionais incluídas no
Scielo que publicam apenas em língua
estrangeira. A percentagem maior (32,6 %) está
representada pelos periódicos que permitem
a publicação de artigos em português,
inglês e espanhol, principais línguas
dominadas pelos cientistas brasileiros. |